quarta-feira, 4 de junho de 2008
Diário de uma ouvinte
Entre mulheres e um amor
“Quis então dar uma volta pelo jardim. Sobre os canteiros borboletas brancas, amarelas, esvoaçava; um gotejar de água fazia no tanque um ritmozinho de jardim burguês; um aroma de baunilha predominava; sobre a cabeça dos bustos de mármore, que se elevam dentre maciços e as moitas de dália, pássaros pousavam.”
(O primo Basílio. Eça de Queiros).
Nesse mesmo instante, lá no nordeste brasileiro, na terra do frevo, onde fala o Suassuna, onde canta o carpinteiro, entre digitadas, poesias e cartadas, Magali pensava em seu amado.
E que bem danado fazia sua existência aos movimentos, sentimentos e pensamentos daquela menina de trelas e de letras.
(No subconsciente reina fragmentos de Amélie. O fabuloso destino de Ame_lie Poulain)
Nesse exato momento kelma tosse
Melina se reúne com residentes. Não há tribunal, não há réu, é apenas uma reunião de pessoas com dentes. Ou seria dentadura? (Risos)
Carol fala ao telefone e comenta sobre uma substituição.
Se não houvesse telefone, ela teria que enviar cartas.
E viva a nossa tecnologia!
Josinete parece bem concentrada, está doente e sentada. Coitada!
Kelma, a moça da tosse, joga no lixo um papel desconhecido.
Fui olhar, não consegui identificar...
Lu entra e fala sobre Pajussara com Josinete
De repente...Não há pente, não há escovas e todos falam de uma só vez, me deixando perturbada e fazendo doer minha cabeça “enxaquezada”.
__Teoricamente sim
__Oficialmente não.
Fala uma
Responde a outra.
Kelma and Marília
Ambas ainda falam sobre chuva, não sobre uva, falam sobre sustentação, e não sobre tentação. Falam ainda sobre trocas e consertos. Coisas de sujeitas! Cousas de sujeitos!
Por trás da minha pessoa, Everton respira profundamente e mexe em alguma coisa no chão.
Eu apenas escuto os ruídos que estão por trás de mim.
Nos ouvidos não uso escudo, logo, escuto.
Melina começa a falar sobre formulário de vitamina A
Não sei se tem formulário de vitamana B
Carol ainda ao telefone.
São 10h33min
Detalhe: Ela usa muito a palavra visse e certo.
Cilene entra na sala e fala com Josinete
A moça de blusa preta arrasta a cadeira após se levantar e parte imediatamente para a mesa onde se encontra Kelma e Marília e outras mais.
O sistema SISVAN está muito lento, é um retardado! Vou encaminhá-lo pára Kelma e Diva.
São 10h34min
Carol desliga o telefone com um, obrigada.
E logo pede o telefone do almoxarifado.
Beto sai da sua saleta. Na verdade é um cubículo!
Everton dá muxoxo. Coisa de coordenador de idoso. (Risos)
E suspira profundamente, meio pirando, meio demente. Parece ansioso. Coisa de coordenador de idoso? (Risos & risos)
Diva usa um brinco adorável, mas não mais do que seu sorriso.
São 10h37min
A moça de blusa amarela coça os olhos, eles parecem irritados...
Oito pessoas na mesa. 10h38min
13 pessoas na sala às 10h40min
Meus pés estão congela, gela, gelando
Penso em te ti Thiago. O meu pronome adorável.
Beto se junta ao pessoal da grande mesa
São 10h55min
Voltei da ida ao café, do banheiro e da conversa com Josinete.
Antes disso, antes de me ausentar da frente do computador...
Kelma olha para minha pessoa e diz que gostaria de usar o computador depois.
Eu digo que ela pode usar enquanto eu vou ao banheiro e tomo café
Antes de ir, imprimo esse relato... No corredor o leio, encontro Josinete que pergunta se eu tenho leite, digo que sim e que na volta do banheiro tomaremos café.
Agora são 10h57min e tem cerca de 20 pessoas na sala.
Cilene entra na sala e diz:
__Meu Deus!
Acho que ela queria usar o telefone.
Chove sobremaneira e em cima da mesa, muito assunto junto.
Will entra sala.
Detalhe:
Ele está de férias.
Everton ao telefone repete a palavra pronto umas cinco vezes.
Pronto.
Kelma pergunta:
__Você não está de férias Will?
São 11h03min
As 11h07min abrem inscrições para usar o aparelho telefônico.
Risos & risos.
São 11: h11min. (Que número bonitinho.)
O telefone toca uma duas vezes.
__Will....Telefone. Fala alguma mulher. Dentre muitas... Uma.
__Will está de férias. Responde Josinete
Will atende ao telefone e eu finalizo as transcrições das observações que fiz em relação à sala dessas mulheres.
Deixo-as para me ater ao meu prazer: Meu amado.
Porque seres são tão apreciáveis quando tateáveis e não perecíveis.
Falo de alma.
E você é tão palpável, amado.
Não, eu não quero te ver.
Sim, sim, eu preciso te sentir.
Seres tácteis é mais antônimo de desumano, humano meu.
E na correria do dia a dia cá estou eu, agridoce.
Séria, palhaça, poetisa de trelas e de letras e de um bocado de carne, sangue e de osso.
Sou agrião, sou João, sou doce, sou agridoce!
Tenho um lado, crônica de ser.
Entre mulheres e um amor
“Quis então dar uma volta pelo jardim. Sobre os canteiros borboletas brancas, amarelas, esvoaçava; um gotejar de água fazia no tanque um ritmozinho de jardim burguês; um aroma de baunilha predominava; sobre a cabeça dos bustos de mármore, que se elevam dentre maciços e as moitas de dália, pássaros pousavam.”
(O primo Basílio. Eça de Queiros).
Nesse mesmo instante, lá no nordeste brasileiro, na terra do frevo, onde fala o Suassuna, onde canta o carpinteiro, entre digitadas, poesias e cartadas, Magali pensava em seu amado.
E que bem danado fazia sua existência aos movimentos, sentimentos e pensamentos daquela menina de trelas e de letras.
(No subconsciente reina fragmentos de Amélie. O fabuloso destino de Ame_lie Poulain)
Nesse exato momento kelma tosse
Melina se reúne com residentes. Não há tribunal, não há réu, é apenas uma reunião de pessoas com dentes. Ou seria dentadura? (Risos)
Carol fala ao telefone e comenta sobre uma substituição.
Se não houvesse telefone, ela teria que enviar cartas.
E viva a nossa tecnologia!
Josinete parece bem concentrada, está doente e sentada. Coitada!
Kelma, a moça da tosse, joga no lixo um papel desconhecido.
Fui olhar, não consegui identificar...
Lu entra e fala sobre Pajussara com Josinete
De repente...Não há pente, não há escovas e todos falam de uma só vez, me deixando perturbada e fazendo doer minha cabeça “enxaquezada”.
__Teoricamente sim
__Oficialmente não.
Fala uma
Responde a outra.
Kelma and Marília
Ambas ainda falam sobre chuva, não sobre uva, falam sobre sustentação, e não sobre tentação. Falam ainda sobre trocas e consertos. Coisas de sujeitas! Cousas de sujeitos!
Por trás da minha pessoa, Everton respira profundamente e mexe em alguma coisa no chão.
Eu apenas escuto os ruídos que estão por trás de mim.
Nos ouvidos não uso escudo, logo, escuto.
Melina começa a falar sobre formulário de vitamina A
Não sei se tem formulário de vitamana B
Carol ainda ao telefone.
São 10h33min
Detalhe: Ela usa muito a palavra visse e certo.
Cilene entra na sala e fala com Josinete
A moça de blusa preta arrasta a cadeira após se levantar e parte imediatamente para a mesa onde se encontra Kelma e Marília e outras mais.
O sistema SISVAN está muito lento, é um retardado! Vou encaminhá-lo pára Kelma e Diva.
São 10h34min
Carol desliga o telefone com um, obrigada.
E logo pede o telefone do almoxarifado.
Beto sai da sua saleta. Na verdade é um cubículo!
Everton dá muxoxo. Coisa de coordenador de idoso. (Risos)
E suspira profundamente, meio pirando, meio demente. Parece ansioso. Coisa de coordenador de idoso? (Risos & risos)
Diva usa um brinco adorável, mas não mais do que seu sorriso.
São 10h37min
A moça de blusa amarela coça os olhos, eles parecem irritados...
Oito pessoas na mesa. 10h38min
13 pessoas na sala às 10h40min
Meus pés estão congela, gela, gelando
Penso em te ti Thiago. O meu pronome adorável.
Beto se junta ao pessoal da grande mesa
São 10h55min
Voltei da ida ao café, do banheiro e da conversa com Josinete.
Antes disso, antes de me ausentar da frente do computador...
Kelma olha para minha pessoa e diz que gostaria de usar o computador depois.
Eu digo que ela pode usar enquanto eu vou ao banheiro e tomo café
Antes de ir, imprimo esse relato... No corredor o leio, encontro Josinete que pergunta se eu tenho leite, digo que sim e que na volta do banheiro tomaremos café.
Agora são 10h57min e tem cerca de 20 pessoas na sala.
Cilene entra na sala e diz:
__Meu Deus!
Acho que ela queria usar o telefone.
Chove sobremaneira e em cima da mesa, muito assunto junto.
Will entra sala.
Detalhe:
Ele está de férias.
Everton ao telefone repete a palavra pronto umas cinco vezes.
Pronto.
Kelma pergunta:
__Você não está de férias Will?
São 11h03min
As 11h07min abrem inscrições para usar o aparelho telefônico.
Risos & risos.
São 11: h11min. (Que número bonitinho.)
O telefone toca uma duas vezes.
__Will....Telefone. Fala alguma mulher. Dentre muitas... Uma.
__Will está de férias. Responde Josinete
Will atende ao telefone e eu finalizo as transcrições das observações que fiz em relação à sala dessas mulheres.
Deixo-as para me ater ao meu prazer: Meu amado.
Porque seres são tão apreciáveis quando tateáveis e não perecíveis.
Falo de alma.
E você é tão palpável, amado.
Não, eu não quero te ver.
Sim, sim, eu preciso te sentir.
Seres tácteis é mais antônimo de desumano, humano meu.
E na correria do dia a dia cá estou eu, agridoce.
Séria, palhaça, poetisa de trelas e de letras e de um bocado de carne, sangue e de osso.
Sou agrião, sou João, sou doce, sou agridoce!
Tenho um lado, crônica de ser.

